quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

"Jardim de Joana" no Bazalada




Para fechar o ano, o grupo (Em) Companhia de Mulheres fará a última apresentação de Jardim de Joana no sábado (10/12/2011), no evento Bazalada do Caravana Fusion & Food Trailer, que fica na Av. das Rendeiras, na Lagoa da Conceição.
O evento estará rolando desde às 14h, e nossa apresentação será às 22:30.

Fizemos ensaios especiais voltado para o espaço que iremos utilizar no Caravana, e estamos gostando da ideia de experimentar diferentes espaços. Esta também será a nossa primeira apresentação com uma personagem a menos, ou seja, com um novo formato.
Para quem ainda não viu Jardim de Joana, esta será a última oportunidade de 2011. E, pra quem já viu, vale a pena rever, pois muitas coisas mudaram...


Ensaio no Caravana
Foto: Morgana Martins



Link do evento Bazalada no Facebook :                                                                       

Link do Caravana no Facebook:

Site do Caravana:

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Empowerment/ Empoderamento

 “Não acredito na autolibertação. A libertação é um ato social”
                                                                      (Paulo Freire)
               

Um conceito muito utilizado por autoras que escrevem sobre o teatro feminista e que permeia também o nosso processo de criação, é o conceito de empoderamento, no sentido que Paulo freire dá ao termo. Assim, ao optarmos por um método de trabalho embasado no "devised theatre" (já explicado aqui em postagem anterior), agregamos também o conceito de empoderamento, pois o "devised theatre" proporciona o empoderamento das envolvidas.

Vamos agora, nesta postagem, tentar deixar mais claro o significado deste termo utilizado não só no contexto de processos educativos, dentro da pedagogia libertadora proposta por Freire, mas também no contexto de organizações empresariais, conforme me deparei nas minhas pesquisas na rede. Utilizamos o termo no contexto do teatro, pensando o fazer teatral como uma ferramenta de empoderamento, podendo ser utilizada em diferentes contextos sociais que lutam por uma transformação.

Conforme o Glossário Social, o EMPODERAMENTO é:

“Processo pelo qual um indivíduo, um grupo social ou uma instituição adquire autonomia para realizar, por si, as ações e mudanças necessárias ao seu crescimento e desenvolvimento pessoal e social numa determinada área ou tema. Implica, essencialmente, a obtenção de informações, um processo de reflexão e tomada de consciência quanto a sua condição atual, uma clara formulação das mudanças desejadas e da condição a ser construída. A essas variáveis, deve somar-se uma mudança de atitude que impulsione a pessoa, grupo ou instituição para a ação prática, metódica e sistemática, no sentido de objetivos e metas traçadas, abandonando-se a antiga postura meramente reativa ou receptiva. Criado por Paulo Freire, este conceito ficou mais conhecido por sua versão em inglês – empowerment, que significa ‘dar poder’ a alguém para realizar uma tarefa sem precisar da permissão de outras pessoas. Observe-se, no entanto, que o termo em inglês trai o sentido original da expressão: empoderamento implica conquista, avanço e superação por parte daquele que se empodera (sujeito ativo do processo), e não, uma simples doação ou transferência por benevolência, como denota o termo inglês empowerment, que transforma o sujeito em objeto passivo” (SCHIAVO; MOREIRA, 2004: 59-60).

Paulo Freire e Ira Shor em Medo e Ousadia: O cotidiano do professor (1986), livro estruturado em forma de diálogo para falar de uma pedagogia dialógica, utilizam o termo empowerment [empoderamento] no contexto da educação. Diferentemente dos autores do Glossário Social, em Medo e Ousadia, Freire e Shor optam pela não tradução do termo “devido à riqueza da palavra [...], que significa A) dar poder a, B) ativar a potencialidade criativa, C) desenvolver a potencialidade criativa do sujeito, D) dinamizar a potencialidade do sujeito” (FREIRE; SHOR, 1986: 10). Aqui, fico na dúvida qual versão utilizar...

De acordo com Shor e Freire, empowerment é um termo utilizado na linguagem da pedagogia libertadora, juntamente com outras palavras, tais como, diálogo, conscientização e consciência crítica. 

O empoderamento, segundo Paulo Freire (1986: 71), não é suficiente para uma transformação social, porém ele é um passo fundamental. A partir do momento em que o sujeito sente-se empoderado e mais livre, ele precisa ajudar para que outras pessoas sintam o mesmo, para que, deste modo, possamos caminhar em direção a uma transformação global. Ira Shor explica que nos anos 1960, a ideia de uma pedagogia que pudesse mudar a sociedade, era muito popular, porém o a noção de empowerment nos Estados Unidos, historicamente, está associada à ideia de individualismo. Isso significa um apreço pelas pessoas livres e independentes que alcançam seu sucesso individualmente. O individualismo foi ainda mais motivado pelo crescimento econômico, pela acelerada modernização e pela busca do Sonho Americano e, aliado à isso, a limitada eficiência dos movimentos sociais. Este processo refletiu-se na pedagogia, incentivando o poder individual, a autoconfiança, autoajuda e auto-aperfeiçoamento. Assim, os esforços individuais ganham maior credibilidade do que a inteligência social e o poder político. Shor diz que “O individualismo é um mito espalhafatoso do capitalismo, que precisa de uma política de ‘dividir para conquistar’ contra a solidariedade das pessoas comuns que ele procura organizar numa cultura comercial e conformista, contradizendo o próprio individualismo que ele propõe” (FREIRE e SHOR, 1986: 72). Em outra página, Shor afirma que o culto ao invidualismo, sempre coexistiu com lutas sociais, como as ondas pela libertação feminina e as lutas pela igualdade racial.

 Já Freire, ampliando a questão colocada por Shor, trazendo o tema para o contexto latino-americano, diz que entende “o conceito de empowerment ligado à classe social” (1986: 72). Isto significa, para Freire, que “a questão do empowerment da classe social envolve a questão de como a classe trabalhadora, através de suas próprias experiências, sua própria construção de cultura, se empenha na obtenção de poder político. Isto faz do empowerment muito mais do que um invento individual ou psicológico. Indica um processo político das classes dominadas que buscam a própria liberdade da dominação, um longo processo histórico de que a educação é uma frente de luta” (FREIRE e SHOR, 1986: 72).

Podemos pensar então o empoderamento como um primeiro passo no processo de transformação social. Assim, mulheres empoderadas, a partir de um processo de criação teatral, pode compartilhar sua própria transformação com outras mulheres.


Referências:


FREIRE, Paulo; SHOR, Ira. Medo e ousadia: o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

SCHIAVO, Marcio R.; MOREIRA, Eliesio N. Glossário Social. Rio de Janeiro: Comunicarte, 2004. Disponível em: http://www.comunicarte.com.br/site-comunicarte/downloads/glossario-social.pdf . Acesso em: 07 nov. 2011.

VALOURA, Leila de Castro. Paulo Freire, o educador brasileiro autor do termo Empoderamento em seu sentido transformador. Disponível em: http://www.paulofreire.org/pub/Crpf/CrpfAcervo000120/Paulo_Freire_e_o_conceito_de_empoderamento.pdf . Acesso em: 7 nov. 2011.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A proposta é: Experimentar!


Valeu Manú!!
Agradecimentos: Apresentação Ufscktock.
Foto: Pedro Caetano
O grupo (Em) Companhia de Mulheres começou como uma proposta de um laboratório de pesquisa prática em teatro, no qual pudéssemos experimentar procedimentos de criação de dramaturgia coletiva, técnicas corporais e jogos teatrais. Antes de termos esse nome, éramos apenas um laboratório por onde passaram diferentes mulheres. Chegamos a um texto e consequentemente, a um espetáculo: Jardim de Joana. Chegamos também a uma configuração de grupo. A proposta inicial de experimentar, continua. Experimentar, testar, reconfigurar. Hoje, o grupo está com uma nova configuração. Com a saída de uma das nossas colaboradoras, Emanuele Mattiello, perdemos não apenas uma atriz, mas também uma produtora. Além disso, não temos mais Brigida Miranda na direção de Jardim de Joana.
Continuamos a experimentar. Cogitamos a possibilidade de substituir a atriz, convidar outra mulher para fazer a personagem de Manú em Jardim de Joana. Concluímos que não faria sentido. Acácia, personagem criada por Manú, era da Manú. Com a vantagem de termos um texto todo escrito por nós, podemos brincar mais com ele, transformá-lo a nosso bel-prazer. Assim, decidimos diluir a personagem Acácia. Sua função na cena, suas ações e falas podem ser diluídas, suprimidas, redistribuídas, sem que se perca o sentido da história. Continuamos, portanto, a experimentar, testar essa nova configuração de grupo, de cena, de espetáculo. Do mesmo modo, a função de direção se dilui, se redistribui para cada uma das colaboradoras neste processo. Jardim de Joana é uma pesquisa, um processo, um espetáculo em constante transformação.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Apresentação no Ufsctock

Gostaria de compartilhar o texto escrito por Nina Bambgerg, sobre a nossa apresentação no Ufsctock, e publicado no site do evento:

http://ufsctock.com/muitamistura/artes-o-corpo/cobertura-a-felicidade-no-jardim-de-joana/

Em cena: Meire Silva e Priscila Mesquita
Foto: Pedro Caetano

COBERTURA: A felicidade no Jardim de Joana

                                          Texto: Nina Bambgerg

O grupo (Em) Companhia de Mulheres iniciou sua pesquisa sobre teatro e gênero há mais ou menos um ano e meio. As pesquisas sempre foram teóricas e práticas, levando as atrizes a conhecer melhor as ligações entre teatro e gênero e aprofundar nas teorias feministas. Há cerca de um ano, atrizes começaram a focar em uma pesquisa prática e criar o que viria a ser o espetáculo O Jardim de Joana.
Cinco mulheres se encontram na casa de Joana, que falecera na noite anterior. Cada uma delas tem uma relação diferente com Joana, mas tudo gira em torno do impasse entre a irmã e a esposa de Joana. Dália, a irmã, não aceita Flor de Liz como cunhada, não acredita que ela seja herdeira da casa ou de qualquer outra posse. Flor de Liz, sem a herança, fica sem casa, sem ambiente de trabalho e sem base alguma para dar continuidade em sua vida.
A discussão a respeito da opção sexual de Joana e a plena discordância de sua irmã fazem parte do desconforto que se apresenta em cena. Dália não acredita no relacionamento de sua irmã com Flor de Liz e, por tanto, não acredita que ela mereça ficar com algo do testamento. Dália também tem um ponto de vista bastante particular sobre sua mãe, em quem coloca a culpa pelas inúmeras traições de seu pai, ao longo de quase todo o casamento dos dois. Ela quer levar a mãe embora, para um asilo e as amigas de Joana não concordam com isso.
Dália é a representação clara da falta de tolerância com tudo aquilo que é diferente e é uma figura bastante machista. Apesar de Flor de Liz ser a viúva e ser o centro das atenções dos cuidados das amigas, sem a figura de Dália, não haveria um conflito verdadeiro e, por conseqüência, a peça não existiria. O Jardim de Joana instala um clima de proximidade com o tema e traz para o público o questionamento a respeito dos problemas burocráticos pelos quais os casais homossexuais passam. Para a burocracia, trazida por Dália, não importa a história de vida de Joana com Flor de Liz, o que importa é que elas não têm um papel carimbado que formalize isso.
Com uma cenografia simples e clara, o espetáculo utiliza de iluminação e projeções para caminhar junto com a dramaturgia. As cenas do casamento de Joana com Flor de Liz, que foram gravadas pelo grupo no início desse ano, transportam outro ambiente para a cena, fazendo com que os espectadores compartilhem desse momento de tanta felicidade, mas já sabendo que a felicidade não permaneceu para sempre na vida do casal.

Disponível em: http://ufsctock.com/muitamistura/artes-o-corpo/cobertura-a-felicidade-no-jardim-de-joana/

Apresentação no Ufsctock


Em cena: Meire Silva
Foto: Pedro Caetano



Ficamos muito satisfeitas com a nossa última apresentação, que aconteceu durante o Ufsctock, em 28 de setembro de 2011, no Espaço I do Ceart/ UDESC. Agradecemos ao evento pela oportunidade proporcionada para que apresentássemos nosso trabalho, e pela equipe que esteve sempre solícita, oferecendo o apoio necessário para a realização de um trabalho tranquilo.

Pela primeira vez "jogamos em casa". Jogamos no espaço onde estamos trabalhando há cerca de um ano e meio para concretizar este projeto. No que diz respeito a mim, venho jogando nesse espaço há mais de nove anos. Muita coisa já plantei e colhi ali. E claro, cada vez é de um jeito diferente.

Para nós, esta foi uma apresentação muito especial, pois parece que pela primeira vez pudemos nos divertir, brincar em cena, jogar o jogo que nos propomos jogar. Por meio da reação do público durante a apresentação, pudemos perceber que este, em geral, se divertia conosco. Após a apresentação também tivemos retornos favoráveis. Sem o nervosismo da estreia, e com a experiência de três apresentações, pudemos ficar mais tranquilas, nos conectando mais facilmente umas com as outras em cena, possibilitando o jogo.

Esta apresentação se torna mais especial agora, que sabemos que foi a última apresentação com a configuração que tínhamos. Agora, com a saída de uma de nossas integrantes, Emanuele Mattiello, muita coisa será modificada. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Organização de links para pesquisa

Ensaio
Foto: Priscila Mesquita
Caras leitoras,
Para tornar este blog um canal eficiente de pesquisa e contribuir com aquelas que também pesquisam o teatro feminista, assim como nós, estou tentando organizar os links de acesso para blogs, sites e artigos. Com isso, me esforço para aglutinar aqui neste espaço, lugares por onde naveguei neste mundo virtual, e que foram de algum modo interessante para a minha busca. Por hora separei três tipos de busca: sites, blogs e artigos.
Dentre as listas de sites e blogs, há links sobre teatro, sobre feminismo e sobre teatro feminista. Coloquei tudo junto sem separar em categorias, pois a ideia é mesmo misturar o feminismo com o teatro.
Na parte de artigos, estou indexando não somente aqueles artigos feitos por nós do grupo (Em) Companhia de Mulheres, mas também por demais pesquisadoras que tenho encontrado nesta imensa rede, além daquelas que têm alguma ligação com a instituição da qual fazemos parte, a UDESC. Estou tentando focar em artigos que tratem de teatro feminista, pontos de vistas feminos sobre o fazer teatral, teatro feito por mulheres, mais ou menos por aí.
Esta nova organização começou com a minha necessidade de ter de voltar à lugares pelos quais já havia passado, e como por vezes eu me perdia neste retorno, precisei tirar isto da barra de favoritos do meu computador e colocar na rede. Isto porque, como já perdi um computador, junto com ele foram todos os meus sites favoritos, dentre eles, aqueles que armazenei sem ler, mas para poder voltar depois... Agora tento recuperá-los.
Espero que seja útil para outras pesquisadoras. E também aceito contribuições. Quem souber de canais interessantes de pesquisa, e puder compartilhar, ficarei muito grata.

Saudações quase primaveris!!

Priscila Mesquita

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Apresentação no Ufsctock 2011

Apresentação na Casa das Máquinas
Foto: Agnes Rath

Entre 26 de setembro e 2 de outubro de 2011, acontecerá em diferentes espaços do campus da UFSC, no bairro da Trindade, Floripa/SC, a terceira edição do UFSCTOCK, um festival independente e gratuito, que agrega variadas formar artísticas, contribuindo para a divulgação de artistas locais e nacionais.
A apresentação de "O Jardim de Joana" está confirmada. Aguardamos a programação completa do festival para divulgar a data e o horário de nossa apresentação.
Para maiores informações sobre o festival, acesse: http://ufsctock.com/muitamistura/

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Algumas reflexões acerca do "devised theatre"


Ensaio: lendo uma das versões do texto "O Jardim de Joana".
Na foto: Emanuele Mattiello e Julia Oliveira
Foto: Morgana Martins

Apenas algumas reflexões sobre o nosso próprio processo. A prática demonstra às vezes pontos delicados, que nem sempre a teoria apresenta. Ou, se apresenta, ler sobre tais delicadezas, não é a mesma coisa que vivenciá-las.
Um processo de criação apoiado na prática do devised theatre, só pode ser eficiente e realmente empoderador para todas as mulheres envolvidas, se houver uma troca sincera de desejos, dúvidas, desconfortos. A prática do devised theatre, permite que todos se coloquem criativamente, porém, para o grupo funcionar, depende da atitude individual. É preciso se posicionar perante o grupo quando não se está satisfeito com algo, quando se deseja ir além de onde está, quando sente que suas ideias não são suficientemente ouvidas. Só assim uma prática deste tipo pode dar certo. Não se pode esperar pelo outro, que o outro adivinhe o que sentimos ou o que pensamos. Isto serve para qualquer relacionamento.

Brigida de Miranda dando algumas indicalçoes de cena.
Foto: Emanuele Mattiello

 Se em um processo de devised theatre, aceitamos tudo o que os outros colocam, sem nos posicionarmos, dizendo claramente a nossa opinião, é fato que este tipo de processo não dará certo e alguém sairá ferido. É como em uma relação amorosa, onde cada um dos parceiros precisa estar aberto para ouvir o outro e estar disposto a dizer o que sente e pensa, mesmo que isso custe um mal estar. Mas, vale lembrar que o mal estar será maior e pior quando acumulamos dentro de nós nossos sentimentos, pois em algum momento isso transbordará, reverberando no todo. É claro, há coisas que realmente não precisam ser ditas, e a fronteira entre o que deve ou não ser dito, é muito tênue. Assim, precisamos aguçar a nossa percepção para saber o que é permitido. Importante também é refletir sobre como essas coisas serão ditas. Há mil maneiras de dizer uma mesma coisa, e nem é preciso dizer, que devemos nos esforçar para não ferir ninguém com nossas palavras. Podemos ser sutis, mas ao mesmo tempo direto. Meias palavras correm o risco de não serem claramente compreendidas. E ser direto não é a mesma coisa que agir grosseiramente.

Emanuele Mattiello, Julia Oliveira e Lisa Brito: discutindo o texto
Foto: Morgana Martins